Passe batom, blush e rímel.
Fique linda.
Esconda suas fraquezas.
Aparente ser resistente como uma fortaleza murada.
Cante uma canção POP.
Seja diva.
Seja artificial.
Seja falsa.
Seja superficial.
Seja uma pessoa que você não é.
Minta para a sociedade.
Minta para os seus pais.
Não acredite em deus.
Cante outra canção POP.
Esqueça o que foi escrito anteriormente. A verdade é que o fim muito triste. Sentimos frio, solidão... As pessoas não ligam para o acontecido, como o outro ficará (na verdade, não há motivos para se importar), como as coisas serão daqui pra frente...
É algo complexo o fim de um relacionamento. Uma vez que o amor acabou (ou pelo menos precisou de um tempo), a ideia do "Just Friends" ("When will we get the time to be just friends..." -Amy, sua linda!) parece sedutora, distante e perigosa ao mesmo tempo. Nenhum dos lados está pronto para "recomeçar", para ser "amigo", porque ainda por um tempo a brasa permanecerá acesa e as pessoas esquecerão o que houve... E tentarão novamente... Mas ai lembram dos motivos que culminaram no rompimento. E veem porque não deu certo da primeira vez (que fique bem claro: isso não se aplica a todos os casos). Por isso, alguns casais se separam como verdadeiros inimigos, não suportando a ideia de ter o outro na sua frente. Aquele que há pouco tempo era o amor da sua vida, agora evoca asco, ódio e distanciamento. As vezes pavor (sim, há casos ainda mais extremos)... Uma vez eu ouvi que "o fim de um amor é algo feio...". Realmente, é estranho pensar em duas pessoas que se amavam (ou pelo menos aparentavam isso para a sociedade) estando distantes não suportando trocar olhares.
Geralmente, o processo se dá seguindo uma espécie de passo-a-passo: a primeira distância (o famoso tempo), a proximidade com os amigos dele(a), mais um tempo, a conversa e a decisão... Embora pareça receita de bolo, a maioria dos relacionamentos se encerra dessa maneira. Após a conversa final, temos duas saídas: a reconciliação ou o adeus definitivo. Raros são os casos em que voltam a se ver e mais raros ainda os que se tornam verdadeiros amigos (conheço um caso isolado e acho incrível). As pessoas não conseguem enxergar o momento por uma ótica diferente, já que estão no olho do furacão. Mas, com o passar dos dias, meses, anos... concluem e identificam o que levou a tal decisão, se há chance de recomeço, ou se serão apenas "Just Friends" mesmo.
Um relacionamento é algo complicado. Muitas são as vezes em que temos que abrir mão de algo em função do outro. Depois que termina, uma das primeiras perguntas que nos fazemos é: "Será que realmente valeu a pena todo aquele sacrifício?" Sim, valeu. Porque naquele momento, apenas estávamos vivendo. Amando. Sendo felizes. Não podemos nos arrepender do bem feito, ainda que sejamos questionados pelo nosso consciente no futuro. Ele é racional. Nosso coração, não.
Pra encerrar meu pequeno devaneio sobre o fim, acho que ela sabe falar melhor do que eu sobre isso.
O amor é uma coisa engraçada.
Não dá pra pegar, não dá pra comer.
Não dá pra cheirar, mas dá pra ver.
E sentir.
E retribuir.
E ocultar.
E fingir que não existe.
Quadrilha, texto de Drummond reflete bem a realidade do amor.
O amor é engraçado.
Ele te surpreende, e te deixa com cara de tacho.
Quem você ama, não te ama.
Nem sempre é correspondido.
Mas o amor... Ah, o amor...
Sentimento puro, lírico e atemporal.
Verdadeiro, mesmo com as mazelas diárias.
Tolerante com os outros e consigo mesmo.
Estranho, intenso.
Possessivo as vezes.
Não correspondido.
Não amado.
Eu olho para meus pedaços. Músicas, poesias, contos, palavras aleatórias... Vários inícios sem final. Não acredito que mereçam uma continuação. Não vejo dignidade neles. Não há beleza poética - não há poesia -. São apenas nuvens soltas em um céu azul-desbotado.
Azul desbotado, desgastado, pálido, sem cor. Meu céu. Não faço a mínima força para que esse texto seja feliz. Não estou feliz agora, mas sei que quando começo a escrever, vou sendo purificado.
Canalizando as dores e sofrimentos através das palavras, externalizo meus sentimentos.
Minha máscara é boa. Não posso negar. Como ainda consegui esboçar um sorriso, me pergunto... Está tudo bem? Não, não está. Me encontro apático. Sem expressão. Vida em ondas: um dia na crista, outro dia no vale. Minhas pernas pesam e sinto frio em meu peito. Algo estranho. O frio vem de dentro para fora. Intenso, descontrolado, louco e doente esse tal de amor. Não chorei. Não consegui. Vontade não faltou, mas não deu.
O dia está lindo hoje, não acha? Com suas nuvens, com seu vento pálido, com as ruas num tom mais escuro. Sinto que estou na minha melhor fase para escrever, com minhas letras manchadas de sangue, minhas frases exalando sofrimento em cada ponto e virgula, com minha amargura estampada em cada conclusão.
Quem ama sofre, eu ouvi uma vez.
E completo: quando se está junto, quando se está só, a todo instante. Intensamente.
Mas, pensemos bem:
"Vamos beber as cervejas bem geladas,
pois a vida ainda é bela.
Preto, branco e cinza também são cores,
e a esperança é verde.
Quem sabe um dia ainda não tomamos um café,
não sentimos falta um do outro,
e não somos felizes?"
Se apaixonou,
foi correspondido (?).
Quis ver, viu:
Todo dia.
Pensou:
Um sonho?
Era, não era, era.
Era.
Viveu o momento,
os momentos,
os muitos momentos.
A ponte, os ônibus,
O treino, os filmes iniciados e não terminados.
A falta de jeito com a dança, com as palavras.
(Nada nessa ordem, afinal de contas, ela não existia).
As conversas, a filosofia.
Os olhares -ou a falta deles-.
Dormia tarde, acordava cedo.
A espera, cada instante.